Às vezes, quero dizer-te milhares de coisas e, ao mesmo tempo, não
quero dizer-te nada. Posso começar por falar-te do azul do céu, que vejo da
minha janela, todas as manhãs, e terminar nas insatisfações que não sei
de onde vêm, e que incomodam tal etiqueta pinicando.
Eu não quero dizer nada porque tenho ímpetos de te matar de vez em quando. Não literalmente, só aqui dentro.
Bebo litros de água durante o dia e imagino-me em noitadas boémias,
apreciando o sabor do álcool e afogando-te bem aqui no meu peito. Tu, nadando apressadamente, desesperado, o álcool subindo e o meu coração
sucumbindo enquanto sorrio com o copo na mão: Eu vou matar-te!
Começo desenhando nós dois de mãos dadas e depois emendo outras mãos.
Eu não quero dizer nada porque tenho vontade de rasgar todas as tuas
roupas e depois atira-las pela janela. Tenho vontade de me atirar também.
Não literalmente, só atirar-me do sétimo andar, quando sou surpreendida pelas tuas lembranças.
Eu quero dizer-te um milhão de coisas que tu ainda não sabes – ou talvez saibas, mas não sob a minha ótica.
E é tanto querer, é tanto a dizer, é tanto, tanto, tanto… que eu fico
assim, desesperada, com mil pássaros batendo as asas dentro da minha
barriga, e cem aranhas tecendo teias na minha cabeça.
Eu nunca senti isto antes, e essa porra de sentimento descomunal
oscila mais que a minha fé na humanidade. Fé cega, lâmina para lá de
afiada!
Imagino nós dois,enroscados, suor misturado, carícias e olhares, enquanto me devoras. Consigo visualizar orgasmos! Seria mais simples se fosse só sexo!
No fim, não te afogo e nem me atiro pela janela.
Senta aqui! Às vezes quero dizer-te milhares de coisas…
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