Para Refletir

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Carta de Bert Hellinger para sua mãe


“Querida mamãe. Você é uma mulher completamente normal. Como outras mulheres, milhões de mulheres também, e eu a amo como uma mulher totalmente comum. E porque você foi uma mulher totalmente comum, você amou o meu pai, e ele também foi muito normal, e assim vocês se juntaram como homem e mulher. Se amaram como homem e mulher. Como muitos milhões de homens e mulheres. E eu fui gerado através do amor de vocês. Como fruto do vosso amor. Um amor muito comum. Como um homem e uma mulher se amam. Então vocês esperaram por mim com esperança e também com um certo medo... se ia dar tudo certo. E aí eu nasci, através da dor. Como outras mulheres também têm os seus filhos. Como a natureza prescreveu. Então, eu nasci, e vocês olharam para mim e ficaram admirados. É esse o nosso filho? Então vocês se olharam nos olhos e disseram: ‘Sim, é o nosso filho, e nós somos os pais dele’. E vocês me deram o vosso nome, e disseram para todas as pessoas: ‘Esse é o nosso filho. Ele nos pertence’. Então vocês cuidaram de mim por muitos e muitos anos. Vocês sempre ficaram a pensar como eu estaria e também o que eu estaria a precisar e então vocês lá estavam para mim. Como muitos outros milhões de pais estão para os seus filhos. E, depois, como vocês eram tão comuns, vocês cometeram erros e algumas coisas causaram-me dor. Mas, porque vocês cometeram erros, eu pude crescer. Pude tornar-me como vocês. Eu agradeço-vos que vocês tenham sido tão comuns e dessa forma eu vos amo. Do jeito como vocês foram. Do jeito que vocês foram, vocês foram os pais ideais para mim. E agora, querida mamãe, eu preciso dizer-lhe uma coisa muito importante. Eu a liberto de todas as minhas expectativas. Que ultrapassa tudo aquilo que possa ser esperado de uma mãe. Ninguém fez mais por mim do que você. E foi muito mais do que o necessário. E assim eu a amo. Bem comum. Querida mamãe.”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O enamoramento























"O enamoramento faz das pessoas cegas e o amor faz ver. No enamoramento tenho uma imagem do outro sem que o conheça. Eu ainda não o vejo. Vejo um ideal, num duplo sentido. Quando se torna realidade, vê-se lentamente o outro, do jeito que ele é. Concordar com isso, com o outro como ele é, com sua grandeza e suas fraquezas, isso é amor! No enamoramento concordo com o outro do jeito que eu o imagino, não como ele é. Por isso, o despertar do enamoramento é a condição prévia para o amor".

Bert Hellinger, sobre enamoramento e o amor, em "A Fonte não Precisa Perguntar pelo Caminho".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Os Filhos em Relação aos Pais


- O que Aprendi com a terapeuta Paula Sentieiro e as suas Constelações Familiares -

O aprendizado tem sido intenso, as descobertas, gratificantes e os resultados enriquecedores em todos os sentidos.

Reconheço a atuação da Força Conhecedora, assim denominada por Bert Hellinger (pai das Constelações Familiares) que permeia tudo e a todos, sem fazer distinção, nem deferência.

Saber a respeito das Ordens do Amor é algo que nos liberta de pesos desnecessários e fracassos e mais fracassos inexplicáveis.

Partilho convosco o que aprendi a respeito das relações entre filhos e pais, que é essencial para darem uma volta nas vossas vidas:

1º Os filhos são pequenos (SEMPRE, mesmo adultos) e os pais são grandes. Para que a vida do filho não fracasse, ele não deve tentar colocar-se no lugar de qualquer dos pais, para lhes evitar a morte ou o sofrimento. Os pais são grandes e farão o que e até onde puderem;

2º Os filhos devem honrar os seus pais (ainda que não os tenham conhecido, que tenham sido abandonados), pois estes deram-lhes o dom da vida e isso já é tudo. Quando os filhos aceitam os pais que têm, como os certos para si, da forma como os pais são, têm êxito profissional e afetivo. Os pais dão e os filhos tomam tudo o que lhes é dado.

3º As filhas que se julgam melhores que suas mães, fracassam, pois não as honram e fazem-se grandes e julgam as suas mães pequenas; com isso invertem, a Ordem do Amor, caem e fracassam. As leis que as atingem são tal e qual a lei da gravidade, não diferenciam quem é bom ou mau, o justo do injusto, simplesmente, atingem a todos que as desafiarem, ainda que de forma "inocente";

4º Reconhecendo que as suas mães são melhores do que elas, que as suas mães são as melhores mulheres para os seus pais, as filhas passam a necessitar de um parceiro, porque o pai delas, deixa de ser "seu marido"; voltam a ser pequenas e reconhecem as suas mães como grandes; com isso a Ordem é estabelecida e a vida dessas filhas torna-se próspera. Agora poderá encontrar um homem para amar de verdade; (o mesmo ocorre com os filhos e os seus pais).

Comece a reverenciar os seus pais da seguinte forma:

Escolha um momento e local que não seja interrompido até ao término da conexão.

Use o mesmo exemplo apenas trocando a palavra "mãe" para "pai" se for o seu caso, ou ainda, para um e em seguida para o outro, se lhe falta o reconhecimento de ambos (mesmo que já tenham falecido).

Faça de coração, de olhos abertos, pessoalmente ou não, pode usar uma foto ou dirigir o seu olhar para o infinito, certo de que está conectado à energia dos seus pais.

"Querida mamãe, obrigada, do fundo do meu coração, obrigada. Você é a mãe certa para mim e eu sou sua filha certa e real. Você é a melhor mulher para o papai, você é grande e eu sou pequena. Sim, eu a aceito como minha mãe, do jeito que você é. Sim, eu te amo e amo tudo aquilo que nos conduz."

Para você, diga: " Sim, eu me amo e amo aquilo que me conduz", então estará em sintonia consigo mesmo, respeitando-se exatamente como é, sem desejar que alguma coisa seja diferente do que é.

Obs.: Se você tem filhos de uniões anteriores, olhe cada um dos seus filhos ternamente nos olhos e diga-lhes com o coração aberto: "Querido filho, quando olho nos teus olhos, vejo teu pai. Amo teu pai (ainda que não o "ame" mais) e te amo, tu és o meu filho querido. Depois, é só comemorar!

A expressão "mamãe" e "papai" deve-se ao facto de, enquanto filhos, sermos sempre pequenos, e é nessa qualidade que nos deveremos colocar!

Beijo no coração de cada um de vocês! Eu vos amo e amo aquilo que nos conduz, verdadeiramente!

Recomendo o livro: Bert Hellinger - Histórias de Amor - Editora Atman (www.atmaneditora.com.br)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

TOMANDO E DESAFIANDO, RECIPROCIDADE


TOMANDO E DESAFIANDO

A quarta Ordem do Amor entre pais e filhos é que os pais são grandes e os filhos são pequenos. É apropriado que os filhos aceitem e os pais dêem. Porque os filhos recebem tanto, têm necessidade de balançar a conta. Faz-nos sentir incómodos quando aceitamos daqueles que amamos sem poder retribuir. Com os nossos pais nunca podemos corrigir o desequilíbrio porque eles dão sempre mais do que nós podemos retribuir.

Alguns filhos fogem da pressão da reciprocidade, da sensação de obrigação ou de culpa. Então dizem, "eu prefiro não receber nada e sentir-me livre da culpa e obrigação." Tais filhos fecham-se aos seus pais e sentem-se vazios e empobrecidos. O amor seria melhor servido se eles dissessem, "aceito tudo o que me derem com amor." Então poderiam olhar amorosamente para os seus pais, e os pais poderiam ver como os seus filhos eram felizes. Esta é uma maneira de aceitar, que consegue equilibrar, porque os pais sentem reconhecimento por este tipo de aceitação, com amor. E dão ainda de maior boa vontade.

Quando os filhos exigem, "vocês devem dar-me mais", então os corações dos pais fecham-se. Porque os filhos exigem, os pais não podem mais inundá-los voluntariamente de amor. É tudo o que essas exigências conseguem, elas proíbem o fluxo natural do amor. E os filhos exigindo, mesmo quando conseguem algo, não lhe dão valor.

RECIPROCIDADE

Entre pais e filhos, a reciprocidade em dar e receber é conseguida dando uns aos outros o que recebemos. Isto faz os pais muito felizes quando os filhos dizem, "eu recebo tudo o que me dás, e quando for grande, passá-lo-ei para os meus filhos." Os filhos não olham para trás quando dão desta maneira, eles olham em frente. Foi o que os seus pais fizeram, eles receberam dos próprios pais e deram aos seus filhos. Porque receberam tanto, sentem-se pressionados para dar abundantemente, e podem fazer isso.

É isto o que eu quero dizer sobre as Ordens do Amor entre pais e filhos.

Bert Hellinger

MEDIDA DO FILHO


Adicionalmente à vida que os pais dão aos seus filhos, e ao que quer que seja que lhes dão enquanto os criam, há também os presentes que os pais dão, do que acumularam com os seus próprios esforços. Por exemplo, uma mãe é uma prendada pintora que pinta os quadros mais maravilhosos. Isto pertence a ela e não aos seus filhos. Se os seus filhos ficarem decepcionados porque não conseguem pintar quadros tão belos - embora não tenham o seu talento e não trabalhassem tão arduamente como ela - eles violam as Ordens do Amor. Não é assim que a vida funciona. O mesmo aplica-se à riqueza material. Os filhos que se sentem herdeiros da riqueza dos seus pais, e ficam decepcionados quando não o são, danificam o amor. Se herdarem a riqueza, então o amor estará bem servido quando a tratam puramente como uma dádiva.

Isto é importante porque se aplica também à culpa pessoal dos nossos pais. A culpa pessoal dos nossos pais pertence-lhes a eles, sozinhos. Acontece frequentemente que os filhos, sem o amor de seus pais, tomam a culpa deles e tentam carregá-la. Mas isto viola as Ordens do Amor. Tais filhos tentam presunçosamente fazer algo que não têm direito nenhum de fazer. Por exemplo, quando os filhos tentam expiar os erros dos pais, colocam-se acima de seus pais e tratam-nos como se os pais fossem crianças de que necessitam de tomar conta, e como se os filhos fossem os pais.

Não há muito tempo havia uma mulher num grupo cujo pai era cego e a mãe surda. Eles compensavam-se um ao outro muito bem. Mas a mulher sentiu que necessitava de cuidar dos pais, e quando nós construímos a sua constelação familiar, o seu representante agiu como se fosse grande e seus pais pequenos. Na constelação, a mãe disse-lhe que, "até que o teu pai queira, eu posso cuidar dele sozinha." E o pai disse-lhe que, "a tua mãe e eu estamos bem sozinhos. Não necessitamos de ti." Mas a mulher ficou mais decepcionada do que aliviada. Foi reduzida ao tamanho de filha, de criança.

Não conseguia dormir nessa noite. De facto, sofria de insónias. No dia seguinte, perguntou-me se eu a poderia ajudar. Eu disse, "as pessoas que não conseguem dormir às vezes acreditam que necessitam de vigiar algo." Então eu contei-lhe uma história de Borchert sobre um menino em Berlim após a guerra. Ele vigiava dia e noite o corpo morto do irmão para que os ratos não o comessem. Embora estivesse completamente esgotado, estava convencido que era obrigado a manter-se de vigia. Um homem caridoso veio ter com ele e disse-lhe, "de noite os ratos dormem." Então o menino caiu adormecido. Nessa noite, a mulher também dormiu.

A terceira Ordem do Amor entre pais e filhos é que respeitamos o que pertence aos nossos pais pessoalmente, e permitimos que façam o que somente eles podem e devem fazer.

Bert Hellinger

ANALISANDO O QUE OS PAIS DÃO ADICIONALMENTE por Bert Hellinger


Além de nos darem a vida, os nossos pais dão-nos também outras coisas. Alimentam-nos, animam-nos, cuidam de nós, e muito mais. Isto funciona bem quando a criança aceita o que lhe é dado, tal como lhe é dado. Regra geral, as crianças só aceitam o que necessitam, do que lhes é oferecido. Naturalmente há as exceções que nós todos compreendemos, mas regra geral, o que os pais dão aos seus filhos é o suficiente. Os filhos não podem ter tudo o que querem e nem todos os sonhos são realizados, mas normalmente, os filhos recebem bastante.

É consistente com as ordens do amor quando os filhos dizem aos seus pais, "vocês deram-me bastante, e é suficiente. Eu aceito isso de vós com apreciação e amor." Um filho que sinta isso, sente-se cheio e próspero, não importa o que pode ter ido antes. Tal filho poderia adicionar, "eu cuidarei do resto." Esta também é uma bonita experiência. E o filho poderia adicionar, "agora deixo-os em paz." O efeito destas frases é muito profundo. Os filhos têm os seus pais, e os pais têm os seus filhos. São simultaneamente separados e tornam-se independentes. Os pais terminaram o seu trabalho, e os filhos são livres para viver as suas vidas com respeito para com seus pais, sem serem dependentes deles.

Mas sinta o que se passa na alma quando você imagina os filhos a dizerem aos seus pais, "o que vocês me deram, primeiro, não foi a coisa certa, e segundo, não foi o suficiente. Vocês ainda me devem." O que é que os filhos recebem dos seus pais quando sentem desta maneira? Nada. E o que é que os pais recebem dos seus filhos? Também nada. Tais filhos não podem separar-se dos seus pais. Suas acusações e pedidos amarram-nos aos seus pais de modo que, embora estejam limitados a eles, não têm nenhum progenitor. Sentem-se então vazios, necessitados e fracos.

Esta é a segunda Ordem do Amor, que os filhos tomem o que os seus pais lhes dão para além da vida como ela é.

UNICIDADE segundo Bert Hellinger

Há, entretanto, um outro mistério envolvido. Nomeadamente, aquilo que nós experimentamos é único, que cada um de nós tem algo pessoal que não pode ser duplicado e que é diferente do que têm os nossos pais. E isto também deve ser afirmado, seja fácil ou difícil, bom ou mau. Se olharmos claramente para o mundo e para as nossas próprias vidas, vemos então que tudo o que é e que tudo o que fazemos, pertence a um todo maior.

O que quer que façamos ou que recusemos fazer, para o que trabalhamos e ao que nos opomos, fazemos porque nós servimos a um todo maior ao qual não compreendemos. Se nos tornarmos íntimos deste todo maior, então experimentamos este serviço como uma tarefa ou uma chamada que não adiciona nada às nossas realizações pessoais se for bom, nem à nossa culpa pessoal se for terrível. Simplesmente somos chamados para servir. Quando olhamos para o mundo desta maneira, as distinções habituais tornam-se irrelevantes. Eu chamo a isto, O Mesmo.

O MESMO

A brisa move-se suave e sussurrante,
a tempestade explode e ruge.
Ainda é o mesmo vento,
a mesma canção.

A mesma água
Banha-nos e afoga-nos,
Carrega-nos e enterra-nos.

O que quer que esteja vivo, usam-se,
preservam-se e destroem-se,
uns aos outros,
dirigidos pela mesma força.

Isto é que interessa.
Quem é servido pelas diferenças?

Estas são então as condições de vida fundamentais. É uma dádiva termos pais e sermos crianças. E também, que temos algo unicamente pessoal.