Quero-te, mas o tempo não quer que eu te tenha. O cenário é perfeito para uma querença assim: chove, venta, faz frio, há uma manta que nos cobre, aos dois, no final de uma comédia romântica das que tu gostas, e é fim-de-semana, não há emprego que me chame, não há compras que eu precise de ir fazer e não marquei nada com ninguém noutro lugar – não tenho compromisso nenhum. Estou aqui, contigo a meu lado, tal como eu, fazendo nada, rigorosamente nada, e a quereres-me também, sentindo que o tempo não quer que me tenhas também. Amor como o nosso é o que liga duas pessoas com habitual – muito habitual mesmo – apetite de corpos nus, colados, aguados, e a serem como duas chaleiras sobre o mesmo fogão, atingindo o ponto de fervura ao mesmo tempo – mas não temos tempo que nos permita isso. O tempo não quer que tenhamos isso, porque se acha pouco, porque se acha tempo sem tempo para o tanto que nos queremos. E nós aceitamos. Concedemos. Condescendemos. Mas improvisamos. Vestidos, reinventamos. Nos nossos olhares despidos de tudo, metemos, então, as nossas vidas inteiras, e fazemos amor assim – demoradamente. Há toques com as mãos na pele e tudo: olhando-te, apenas, sinto as linhas das tuas pernas, a curvatura das tuas ancas e as formas de cada medida tua. E há saliva tua em mim, saliva minha em ti, sopro quente de um no ouvido do outro, peito no peito, ventre no ventre, espasmos, e “abraça-me” e “amo-te” e… “ah…!”, sem qualquer som. E relaxamento, de seguida. E um abraço final. E segundo engano ao tempo, num outro olhar que se segue. E terceiro engano ao tempo, num olhar mais que trocamos quando, por fim, ele mesmo concede e condescende, e permite que as nossas roupas voem e que, nada tarde, a tempo, as nossas cútis se falem o tanto que querem, segredando, de alto a baixo. Porque os olhos comem mas não têm o palato que o resto do corpo tem.
Sérgio Lizardo
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sexta-feira, 25 de março de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Quero...
domingo, 25 de outubro de 2015
Quero-te
- Quero-te.
- Queres-me como?
- Assim como és!
- E eu sou como?
- Como um sorriso que ganhou cabeça, tronco e membros.
- Como assim?
- Como um sorriso que tem, ele mesmo, uma boca que posso beijar, depois de puxar para mim e guardar dentro de um abraço meu.
- E podes guardar-me dentro de um abraço teu?
- Sim, e fechar-te com um laço.
- E é feito de quê, esse laço?
- Dos meus dedos. Apertam no fundo das tuas costas, sobre a pele.
- Também te quero.
- E queres-me como?
- Assim como és!
- E eu sou como?
- És quem me quer como se eu fosse um sorriso, e me faz desejar ser esse sorriso, que pede para que os teus dedos não deslacem.
- Quero-te mais!
- Mais do que eu?
- Não, quero-te mais ainda; quero também esse brilho novo que tens agora nos olhos.
- Podes ficar com ele.
- Já o tenho.
- Tens mesmo! Vejo-o nos teus olhos!
- Será isso desejo?
- Desejo que sim.
- Quero-te agora!
- Toma-me!
- Como?
- Com essa sede toda que quero matar, avidamente.
- Queres-me como?
- Assim como és!
- E eu sou como?
- Como um sorriso que ganhou cabeça, tronco e membros.
- Como assim?
- Como um sorriso que tem, ele mesmo, uma boca que posso beijar, depois de puxar para mim e guardar dentro de um abraço meu.
- E podes guardar-me dentro de um abraço teu?
- Sim, e fechar-te com um laço.
- E é feito de quê, esse laço?
- Dos meus dedos. Apertam no fundo das tuas costas, sobre a pele.
- Também te quero.
- E queres-me como?
- Assim como és!
- E eu sou como?
- És quem me quer como se eu fosse um sorriso, e me faz desejar ser esse sorriso, que pede para que os teus dedos não deslacem.
- Quero-te mais!
- Mais do que eu?
- Não, quero-te mais ainda; quero também esse brilho novo que tens agora nos olhos.
- Podes ficar com ele.
- Já o tenho.
- Tens mesmo! Vejo-o nos teus olhos!
- Será isso desejo?
- Desejo que sim.
- Quero-te agora!
- Toma-me!
- Como?
- Com essa sede toda que quero matar, avidamente.
Sérgio Lizardo
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domingo, 27 de setembro de 2015
Luís Represas - Colibri (Pureza e Desejo)
A meus amados filhos Rodrigo e Tomás, por me terem escolhido enquanto Mãe, nesta sua encarnação, e a minha amada filha de coração e espiritual, Carolina, pela coragem e amor em ter escolhido reencarnar no seio de outra família. Que a ponte entre nossas famílias possa ser feita em amor e por amor! Sempre em meu coração!...
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
CONHEÇA AS 100 POSIÇÕES DO KAMASUTRA
Na falta de imaginação, são posições incríveis! Espero deixar qualquer um louco de desejo... Sempre inovando e aprendendo!... LOL
sábado, 12 de setembro de 2015
Hoje, eu quero...
Hoje, eu quero muito pouco.
Mas o meu muito pouco é muito raro.
O meu muito raro o caro não pode comprar.
O difícil é achar uma parceria,
que se saiba feliz no todo o dia.
Mais que afinidade e disposição,
o mais raro é conseguir compartilhar
a paixão pela simplicidade em viver os dias se repetindo,
o tempo indo
e a alma em paz com os seus compromissos.
Mas o meu muito pouco é muito raro.
O meu muito raro o caro não pode comprar.
O difícil é achar uma parceria,
que se saiba feliz no todo o dia.
Mais que afinidade e disposição,
o mais raro é conseguir compartilhar
a paixão pela simplicidade em viver os dias se repetindo,
o tempo indo
e a alma em paz com os seus compromissos.
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