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quarta-feira, 2 de março de 2016

Pergunta-me



Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

- Mia Couto -
Do livro "Raiz de Orvalho e outros poemas"

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Fogo consome famosos passadiços de madeira sobre o rio Paiva

E agora digam que foi o calor! Não me sinto triste apenas pela destruição dos passadiços (até porque aquilo que o homem constrói também destrói), mas porque a mãe natureza também sofre!
Amada Mãe Terra Gaya,
Perdoa-nos por todas as vezes que esquecemos a magnitude da vossa existência,
Por todas as vezes que deixamos de a proteger, negando a tão sagrada consciência...

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4766098