Para Refletir

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domingo, 18 de outubro de 2015

OS OLHOS SÃO A JANELA DA ALMA E O ESPELHO DO MUNDO - Leonardo da Vinci


Os meus olhos vêem as mesmas imagens que os seus? As árvores de que tanto gosto, cuja beleza tanto aprecio, comovem-no tanto quanto a mim? Quando tenho a oportunidade de observar a lua (principalmente a lua cheia) por entre os galhos e as folhas de uma frondosíssima árvore, sinto que me aproximo de algo divino. O contraste proporcionado entre a claridade da lua e das nuvens e a escuridão das folhas e dos galhos deixa-me embevecida como num transe, em que me parece estar em sintonia com algo transcendente.
Para Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Alberto Caeiro, o luar através dos altos ramos nada mais é do que o luar através dos altos ramos. Era assim que a sua alma, o seu espírito, via o luar através dos altos ramos: apenas a existência física de uma imagem. Ele era um poeta existencialista, e o existencialismo, teoria filosófica do início do séc. XX, caracterizou-se pela realidade concreta; o que importava a um existencialista era o que se via, como se o que se vê existisse exatamente como se o vê. Não o é, porém. Discordo, portanto, de Fernando Pessoa, apesar de ser leitora contumaz de seus poemas e o julgar um dos melhores poetas de todos os tempos.

VER É PERCEBER COM A ALMA.

Ver não é simplesmente ver; não é simplesmente perceber com os olhos. Ver é perceber com a alma, com o espírito; é deixar-se envolver; é deixar-se cativar. Muitos são os que olham e nada vêem, pois não se emocionam com o que as imagens representam. Vêem fria e racionalmente. Não sabem, talvez, que é possível mudar a maneira de ver o que o mundo nos proporciona. Ou sabem, mas não se interessam por isso; estão tão acostumados com a frieza do seu próprio olhar perante as imagens que se lhes apresentam, que se negam a ver a beleza nelas contida.
Pode-se treinar o olhar, pois nunca uma mesma imagem representa a mesma sensação. Cada olhar é um fenómeno diferente do outro, mesmo que se olhe para o mesmo objeto no mesmo lugar, repetidamente. É mais ou menos como a teoria de Heráclito de Éfeso, um filósofo pré-socrático, considerado o pai da dialética, que dizia que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, pois nem a pessoa é a mesma que havia entrado no rio, nem o rio é o mesmo de quando ela havia entrado nele. Tanto um quanto o outro se modificaram com o tempo.

NÃO SOMOS O QUE JÁ FOMOS; NÃO SEREMOS MAIS O QUE SOMOS.

Não somos agora o que fomos outrora e não seremos mais o que agora somos. É imprescindível, portanto, que se eduque o próprio olhar para aprender a ver com mais emoção o que se passa diante dos olhos. É o aprender a ver, não meramente com os olhos ou com o intelecto, mas o aprender a ver com o coração. Educar o olhar inicia-se com a consciência de que não vemos as imagens, mas sim a nós mesmos refletidos nelas.
Eu sou aquela árvore que vejo, sou os ramos e as folhas, sou a lua e as nuvens, sou a claridade e a escuridão. Meus olhos são o espelho do mundo, pois refletem a mim mesma o que há de concreto no mundo, mas o que é refletido tem o significado que a minha alma expuser, que o meu espírito decifrar. Sou eu mesma, portanto, refletida nas imagens que captei, que já não são mais as mesmas; transformaram-se nas imagens que eu criei.

APRENDER A DECIFRAR A PRÓPRIA ALMA.

Para isso acontecer, porém, tenho de aprender a decifrar a minha própria alma; tenho de aprender a conhecer-me, a mim e às minhas raízes, aos meus princípios. Tenho de abrir as janelas da minha alma. Tenho de transformar o meu olhar em algo substancial, nutritivo, pois ele é que proverá a minha alma de imagens a serem descodificadas.
Tenho também de transformar a minha alma num núcleo formador de benevolência, para que tudo o que seja incorporado nela através do olhar me deleite, me deixe embevecida, satisfeita. Assim transformar-me-ei numa pessoa melhor e poderei ajudar as pessoas com as quais convivo a melhorar também o nosso meio. Acredito que quanto mais pessoas houver pensando assim, melhor será a nossa sociedade.

sábado, 26 de setembro de 2015

Siga a Natureza e Reduza a Tensão

Ensinamento ministrado pelo monge taoísta Mestre Yun Xiang Tseng do monastério de Wudang Shan.

A tensão é a causa principal de enfermidade hoje na sociedade. Temos a situação financeira global recente, desastres naturais, guerra, trabalho, assuntos de família ou qualquer outra coisa. A tensão constrói e afeta tudo e todo mundo ao redor de nós. Nós destacamos sobre muitas coisas em vida e tentamos entender por que coisas acontecem para nós ou para os outros. Entendendo as leis fundamentais da natureza, nós podemos ser capazes de aliviar alguma desta tensão.

Nós tendemos a culpar um ao outro ou até Deus para estes eventos. É realmente um poder mais alto que os está causando ? Isto é o castigo pelas coisas ruins que nós fizemos nesta grande Terra, ou é natureza justa? O taoísmo nos ensina que nós refletimos a natureza e a natureza nos reflete. Nós somos um e o mesmo e uma parte de um inteiro macrocosmo ou uma parte minúscula do cosmo inteiro. Nossas interações um com o outro, natureza e o universo têm causa e efeito.

Se nós voltarmos um olhar para nossas interações com outros que trabalham do mesmo modo. Quando nós somos negativos então os outros ao redor de nós refletem aquela negatividade de volta para nós ou tentamos equilibrar a negatividade lançando-a para fora. Se nós formos muito negativos nossa mente poderia não gostar da resposta que nós conseguimos dar. Por exemplo: nós poderíamos achar em nós mesmos um argumento ou até jogar tudo fora ou lutar. Não é bom. O taoísmo ensina que devemos nos esforçar para alcançar o equilíbrio e unidade em nós mesmos a fim de ter equilíbrio e unidade com outros e o universo. “O Tao segue a natureza, homem e céu unidos como se fossem um como se fala com o fenômeno de equilíbrio e interação universal. Se nós podemos nos esforçar para alcançar equilíbrio em nós mesmos, os outros naturalmente responderão e se tornarão mais equilibrados. Se o mundo se esforça neste sentido, nós podemos criar a oportunidade para alcançar equilíbrio pessoal e trazer o equilíbrio para o universo e talvez, só talvez, nós não precisaremos ter como lembranças os naturais desastres cíclicos feitos pelo homem.

O taoísmo diz que “Homem segue a Terra, a Terra segue o Céu, O Céu segue o Tao e Tao segue a Natureza.” Isto é a lei e o princípio do cosmo. Com esta lei vem o equilíbrio do cosmo. Humanidade e universo unidos como um. As pessoas na Terra apreciam prosperidade e paz. Este tipo de felicidade é um fenômeno que vem do equilíbrio do campo de energia cósmica. Igualmente, desarmonia e desequilíbrio entre a humanidade e Terra, céu e Tao produzirá fenômeno desagradável. Os desastres naturais são um exemplo disto.

A Terra, os outros oito planetas em torno do sol, e o resto do cosmo, existem em equilíbrio relativo e estão assim a milhões de anos; Movimento dentro de quietude, quietude dentro de movimento. Quando as pessoas na Terra vão guerrear, um invade o espaço do outro, cometem assassinatos, destroem recursos naturais e vivem com indulgência, desarmonia e desequilíbrio acontecem entre as pessoas e países. O ambiente e Qi (energia) Terra de campo circundante é danificada de forma que temporariamente não pode manter harmonia e equilíbrio com os outros planetas. A diferença entre a revolução da Terra e os outros planetas durante este processo varia muito o que produz uma reação em cadeia de desequilíbrio que, por sua vez causa a cada um das energias do planeta um desequilíbrio. Isto leva àqueles planetas a procurar por novo equilíbrio relativo até que a próxima onda de desequilíbrio acontece. Isto é o modo natural do cosmo de curar-se a si próprio e reagir para este fenômeno. Por exemplo, terremotos, tsunamis, inundações, tornados, etc., são um produto do desequilíbrio que causam rupturas no universo. Da mesma maneira que com humanos, se você for estressado na vida, levar uma vida repleta de diversões ou sendo entretido pela vida, desejo e emoção surgem e causam muita tensão. Aquela tensão trará desequilíbrio entre corpo, mente e espírito, produzindo doença sentimental, física e espiritual às vezes resultando na morte. Isto nos leva a recomeçar um novo ciclo de vida.

Mantendo equilíbrio e harmonia isto nos elevará como humanos com nossa relação para com a Terra. Se nós não tomarmos responsabilidade e se nós continuarmos quebrando as leis e princípios da humanidade, Terra, céu e natureza, desastres naturais, políticos e financeiros continuarão a surgir. As pessoas sábias deveriam entender que estes desastres não são causados por uma pessoa, sociedade, país ou Deus. É toda a sociedade que contribui para este desequilíbrio e estas crises.

Quando todas as pessoas na Terra trabalham juntas para paz e lazer, proteger a Terra, não lutando, mas praticando a virtude e a generosidade, somente então homem e Terra, céu e Tao, Tao e natureza produzem o equilíbrio relativo eterno. Nós ganharemos energia equilibrada e paz verdadeira por toda vida.

Em Taoísmo nós visualizamos a tensão como resultado de desequilíbrio entre espírito e corpo. Nós ensinamos para que as pessoas se voltem à raiz do Tao para retornar a quietude, achar paz e harmonia entre o corpo e a mente. No exercício de Qigong e Tai Chi o importar e dirige Qi ou “força vitalícia” no corpo físico para cultivar a quietude. Este reduz tensão e resulta em paz e harmonia entre nossos órgãos. Esta por sua vez aumenta nossa função imune e nos protege contra enfermidade que talvez tenha iniciado em nossos corpos.

Para seguir os princípios taoístas deve-se seguir a natureza da vida e ter compaixão e amor para com você mesmo e para com os outros. Fazendo isso, você reduzirá a tensão e permitirá a você mesmo viver uma vida mais próspera, trazendo harmonia para a mente, corpo e espírito.

fonte: Associaçao Taoísta do Brasil
http://www.filosofiataoista.no.comunidades.net

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Dificuldades

As dificuldades devem ser usadas para crescer, não para desencorajar. O espírito humano cresce mais forte no conflito.
CT


Amar é...


"Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o espírito." Théophile Gautier